Analisando um Mapa Astral
Uma das minhas maiores broncas com os que acreditam que não existe
nada além do físico e suas “experiências refutando a Astrologia” é que a
imensa maioria das experiências feitas até hoje que já caíram nas
minhas mãos (e não foram poucas) caem nos seguintes quesitos:
1) usam apenas o “Signo” das pessoas para avaliar os resultados ou
2) pegam uns astrólogos e tentam fazer com que eles “adivinhem” alguma
coisa a partir de um mapa e algumas vítimas ou façam “previsões” sobre
algum assunto.
Não é de se estranhar que nada dá certo nunca. Ou estes experimentos
apenas reforçam o que eu já expliquei em várias colunas: que o que
vendem por ai hoje com o nome de “Astrologia” é puro LIXO.
Mas não posso culpar os céticos de verdade e as pessoas inteligentes. Eu
mesmo, dez anos atrás, fui fazer um curso de Astrologia com um dos
maiores astrólogos do país, Frank Avabash, com esse preconceito. Na
época, ele devia ter uns 25 anos de experiência com Astrologia e eu
estava totalmente convencido que seria uma furada. Mas me enganei. A
Astrologia Hermética (aquela que Isaac Newton, Galileu Galilei, Kepler,
Tycho Brache, John Dee, Max Heindel, Fernando Pessoa, Winston Churchill e
Hitler estudavam) não lembra nem de longe o que os profanos chamam de
“astrologia”.
Então, afinal de contas, o que é Astrologia?
Para começar, falaremos sobre o que se entende por “astrologia” no mundo
profano: segundo os horóscopos, os humanos são divididos em 12 castas
estereotipadas chamadas “signos”. Todo dia no jornal sai o “horóscopo”
que é o que vai acontecer com 1/12 da população do mundo naquele dia e
volta e meia algum picareta vai na TV fazer “previsões” que nunca se
concretizam…
Isso é o que as pessoas pensam que seja Astrologia.
Bem… agora vamos falar sobre Astrologia de Verdade.
Um
Mapa Astral, ou Carta Natal, é uma representação
geométrica e simbólica do céu no exato momento do nascimento de qualquer
coisa no Planeta. Uma pessoa, um objeto, um contrato, um ritual… Nenhum
dos planetas “influencia” nada. Muito menos a “atração gravitacional”
ou “energias emanadas” deles, como eu já vi céticos afirmarem.
As posições dos Planetas atuam apenas como mostradores; ponteiros
invisíveis de um relógio astral, movimentando-se em sincronicidade com
os acontecimentos em cada planeta. Tudo o que está em cima é semelhante
ao que está em baixo. E o que realmente conta na confecção de um Mapa
Astral é a angulação que eles fazem com o horizonte. Para alguém
totalmente materialista, não parece mesmo fazer sentido… é como se
alguém da segunda dimensão desse de cara com uma esfera atravessando o
plano… na visão deles, o máximo que poderiam compreender seria o círculo
aumentando e diminuindo de raio, mas não conseguiriam explicar o que
está acontecendo porque não possuem o conhecimento da terceira dimensão.
O mesmo ocorre no exemplo acima. A explicação para o por quê a
astrologia Funciona está em um plano que a ciência ortodoxa AINDA não
consegue explicar.

O cálculo exato das efemérides e a posição exata dos planetas no Mapa
é de vital importância para a ciência da Astrologia. Por esta razão, em
seu nascimento, Astrólogos e Astrônomos eram uma profissão apenas.
Mas tio, e as Constelações?
Constelações não servem para nada no cálculo de Mapas. São apenas
REFERÊNCIAS simbólicas que os antigos encontraram para explicar para as
pessoas algo que é extremamente difícil descrever apenas com palavras.
Se fomos avaliar diferentes métodos astrológicos (astrologia chinesa,
védica, asteca, etc) veremos que, apesar de cada uma delas dar NOMES
DIFERENTES para casa signo, as descrições de cada período temporal em
relação ao comportamento dos indivíduos é rigorosamente o mesmo. Mudam
apenas a referência. Em um horóscopo são animais, em outro são deuses,
no terceiro constelações, em outro constelações diferentes e assim por
diante…
Esta é uma das “refutações” que mais vejo entre os céticos: de que se a
Astrologia fosse una, todas as Astrologias seriam iguais. Só que elas
SÂO iguais… onde em uma cultura o signo é chamado de “touro”, em outra é
chamado de “urso” e em outra de “elefante”. São símbolos que expressam
uma mesma idéia, apenas culturalmente diferentes.
As próprias “constelações” não fazem sentido, quando agrupadas em um
universo 3D. Peguemos, por exemplo, a constelação de Libra:
alfa de Libra (Zubenelgenubi) está a 77 anos luz.
Beta de Libra (Lanx Australlis) está a 160 anos-luz,
gama de Libra está a 150 anos-luz e
sigma de Libra (Brachium) está a 300 anos-luz… ou seja, elas não tem NADA em comum para serem agrupadas “próximas”.
Mas elas serviam como símbolos para contar histórias e fazer com que os
cientistas primitivos fossem capazes de entender os conceitos abstratos
que regem a psicologia.
Além disso, devido à precessão dos equinócios, o Sol atualmente cruza
as constelações de Áries de 18 de abril a 12 de maio, Touro de 13 de
maio a 20 de junho, Gêmeos de 21 de junho a 19 de julho, Câncer de 20 de
julho a 9 de agosto, Leão de 10 de agosto a 15 de setembro, Virgem de
16 de setembro a 30 de outubro, Libra de 31 de outubro a 22 de novembro,
Escorpião de 23 de novembro a 28 de novembro, Ofiúco de 29 de novembro a
16 de dezembro, Sagitário de 17 de dezembro a 18 de janeiro,
Capricórnio de 19 de janeiro a 15 de fevereiro, Aquário de 16 de
fevereiro a 11 de março e Peixes de 12 de março a 17 de abril (e não
riam… já vi astrólogos esquisotéricos querendo “reformular” os signos
baseado nessas bullshits).
Ou seja, outros céticos usam isso como desculpa para “refutar” a
Astrologia, alegando que graças à precessão dos Equinócios, o signo que
você pensa que possui não é o verdadeiro signo que deveria ter e assim
por diante…
Retornando aos planetas
Na “astrologia” que as pessoas conhecem, existem 12 tipos de
signos/pessoas… ou 144 tipos de pessoas (12×12) se você for legal e
contar o ascendente.
Na Astrologia Hermética, temos 10 planetas (o nome Planeta vem de
“viajante”, ou os “astros que caminham no céu”, por isso consideramos o
Sol, a Lua e Plutão como planetas) mas, na realidade, são apenas os
ponteiros do Sistema solar que contam.
O círculo do Zodíaco possui 360 graus. Sabendo que Mercúrio, pela
posição relativa do sol em relação à Terra nunca estará mais do que 28
graus afastado do sol e Vênus nunca estará mais do que 46 graus afastado
do sol, temos então:
360 (sol) x 56 (mercúrio) x 92 (Vênus) x 360 (terra/ascendente) x 360
(marte) x 360 (júpiter) x 360 (saturno) x 360 (urano) x 360 (netuno) x
360 (plutão) x 360 (lua) Mapas Astrais diferentes! Fazendo as contas,
temos: 1,45344 E+24, ou seja, 1,453.440.000.000.000.000.000.000 de
possibilidades diferentes.
Um SETILHÃO de combinações
possíveis, se levarmos em conta 1 grau de precisão. A conta inclui os
360 graus do sol por causa das CASAS. Se quisermos “facilitar” e
considerarmos apenas as combinações dos 12 signos com os 10 planetas,
teremos 61.917.364.224 tipos de Mapas diferentes (ou
61 BILHÕES de combinações).
Complexo, não? Mas se a biologia ou a astrofísica podem chegar a
complexidades matemáticas absurdas, porque insistem em manter a
astrologia presa no século XVIII?
Simbolicamente, cada Planeta reflete um aspecto da Árvore da Vida
dentro de cada pessoa. Para compreender a Astrologia, então, é
necessário um conhecimento da Kabbalah (não a judaica, mas a estrutura
que originou tanto a Kabbalah judaica quanto a hermética) e o que cada
sephira representa dentro do Mapa de Estados de Consciência Humana (ou
seja, o Astrólogo também precisa estudar a fundo psicologia e
simbologia). E aqui começa o real problema da Astrologia:
VOCABULÁRIO.

O
vocabulário humano é extremamente limitado. Vamos a um exemplo simples:
Você conseguiria descrever em palavras o amor que sente por sua mãe? E
por seu pai? E por sua esposa/esposo? Por sua/seu amante? Pelo seu/sua
filho mais velho? É o mesmo amor que o do filho caçula? E o amor que
você sente pelos seus colegas de exército? Seu time de futebol? O
amor-compaixão que sente por um mendigo pedindo esmola? o amor-piedade
que sente por uma criança espancada? o amor-ódio que sente pela
ex-namorada/o ? Não há nenhum degradê entre estas formas de “amor”?
Certamente que quando você diz “eu amo minha esposa” e “eu amo meu time
de futebol”, “eu amo meus amigos torcedores” e “eu amo batata frita” há
diferenças enormes de significado.
Talvez um poeta conseguisse “traduzir” estes sentimentos em poemas
enormes; colocar em palavras os nobres sentimentos humanos… textos
longos, rebuscados, melodias singelas, pinturas… ainda assim não
conseguiria chegar ao ponto exato.
Se o olho humano pode distinguir 10 milhões de cores diferentes, por
que não temos um nome diferente para cada uma delas? E para cada um dos
sentimentos/emoções?
Estão conseguindo chegar ao cerne do problema?
Se a astrologia tivesse avançado como as outras ciências, ao invés de
ter sido expulsa das universidades pela IGREJA (e não por ser uma
“pseudo-ciência” como a maioria dos céticos gosta de afirmar), talvez
teríamos hoje um código para o Mapa de cada pessoa semelhante ao código
genético ou ao código Pantone, com letras e números; e computadores
buscando similaridades comportamentais, ao invés de astrólogos se
matando para explicar sentimentos com palavras.
Queria ver se o Richard Dawkins tivesse de dar nomes simbólicos ou fazer poemas para cada código genético que encontrasse…
O Mapa Astral, então, é um perfeito mapa vocacional que mostra onde
estão suas facilidades e dificuldades, a maneira como você pensa, sente,
briga, transa, intui, aprende… mostra o que te agrada e o que te
incomoda; mostra os vícios que você tem e às vezes nem sabe por quê.
Mostra suas virtudes e os seus defeitos.
O que o Astrólogo faz é analisar um mapa e tentar achar palavras que
se encaixem com cada uma destas combinações em suas diversas matizes.
Quando falamos “seu Marte está em Gêmeos”, estamos usando um código que
simplifica MUITO, mas MUITO mesmo o que realmente estamos vendo naquele
código… é como falar “sua camisa é azul”. Azul o que? Azul royal? azul
royal bebê? azul royal bebê fúcsia? azul royal bebê fúcsia prussiano do
inverno do rio Volga?
Um Astrólogo está limitado pelo seu próprio vocabulário e pelo seu
conhecimento da astrologia e simbolismo; também está limitado pelo seu
próprio mapa astral. Um astrólogo cujo próprio mapa tenha muitos
planetas em virgem fará uma interpretação de um mapa de outra pessoa bem
diferente de um astrólogo com muitos planetas em peixes… mesmo que os
dois tenham entendido as nuances de maneira iguais, certamente se
expressarão de maneira diferente, com palavras diferentes. Os céticos
adoram pegar estas diferenças para alegar “que os astrólogos não falam a
mesma língua nas mesmas interpretações”.
E nessa “subjetividade” acabam as chances da Astrologia de se
enquadrar nas ditas ciências ortodoxas… imagine a dificuldade que os
geneticistas teriam se precisassem ficar dando nomes e descrições para
cada um dos 27.000 genes humanos baseado em sua interpretação pessoal…
Desta forma, o que os Astrólogos fazem é compilar em tabelas
palavras, símbolos e descrições que mais se encaixam àquela determinada
matiz energética (novamente, usando vocabulário de acordo com seu
próprio entendimento). O que eu acho “teimoso” como um adjetivo
depreciativo, você pode achar que é um elogio relacionado com
“obstinação”, por exemplo! Uma pessoa “curiosa” é um elogio ou é uma
pessoa frívola?
E assim caímos nas brechas para as astrologias esquisotéricas…
tentando rotular e simplificar ao máximo, chegam e dizem “todo
virginiano é discreto, gosta de organização e limpeza”. Não é
necessariamente verdade. Boa parte deles possui estas características,
mas isso não define absolutamente nada em alguém… para vocês terem uma
idéia, um Mapa bem feito não tem menos do que 15-20 páginas de texto
sobre a pessoa.
Conhece a ti mesmo
E como se todas estas dificuldades não bastassem, também há o
livre-arbítrio. Uma pessoa que tenha, por exemplo, “Mercúrio em Gêmeos”
terá uma facilidade muito maior que a média de lidar com palavras… ela
terá facilidade bem maior do que outras pessoas se desejar tornar-se
escritor, jornalista, repórter, contador de casos… ou um grande
fofoqueiro… ou um grande mentiroso, ou combinações destes adjetivos. A
habilidade de manipular bem as palavras não implica necessariamente que
você as usará para o bem. E nas facilidades que estão as tentações.
Não temos como distinguir no mapa um grande repórter de um hábil
mentiroso. Podemos dizer “fulano tem facilidade para lidar com palavras”
(você sentiria alguma diferença se eu tivesse escrito “fulano tem
facilidade para manipular palavras”?); talvez alguns céticos considerem
isso vago (é outra das alegações furadas dos céticos em relação à
astrologia). E NADA garante que alguém que tenha Mercúrio em Gêmeos vá
seguir a carreira de lidar com palavras… ele pode muito bem ser um
vendedor de carros usados que usa isso como lábia.
Para mim, “Mercúrio em gêmeos” diz muita coisa… Questão de
vocabulário. Não podemos aprofundar a descrição sem conhecer a pessoa…
talvez, somente a própria pessoa vai realmente saber o quanto ela usa
esta capacidade para o bem ou para o mal.
É nisso que entra o autoconhecimento e a parte Hermética do “Astrologia Hermética”.
Avaliando nossos mapas, podemos detectar as energias com as quais
temos mais facilidade e lapidar nossa pedra bruta para chegarmos até a
pedra filosofal.
Mas é duro olharmos para o espelho e reconhecermos nossos defeitos… e
mais difícil ainda lutar para transmutá-los das oitavas mais baixas nas
oitavas mais altas; vencer as paixões que nos levam ao uso egoísta de
nossas habilidades e transformá-las em virtudes. É como transformar
chumbo em ouro.
Desta forma está a dificuldade em adequar o real ao experimento…
fazer “testes de múltipla escolha” parece completamente nonsense para
alguém que sabe para que o mapa realmente serve. Minha sugestão seria
pegar um psicólogo neutro para fazer um levantamento psicológico
completo de cada pessoa, bem como uma entrevista onde ela revelaria suas
ambições, fantasias, o que realmente gostaria de fazer, o que realizou
dos sonhos, que tipo de parceiro sexual gosta e assim por diante.
Por outro lado, o Mapa seria gerado pelo banco de dados que estamos
organizando através das doações dos leitores do Teoria da Conspiração,
ou seja, sem a “interpretação” pessoal do Astrólogo. E como comparação,
um grupo de psicólogos/astrólogos compararia o perfil psicológico da
pessoa com o do mapa e faria as correspondências. Claro que eu gostaria
de fazer isso não com 20 mapas, mas com 10.000 mapas. Só que daria um
puta trabalho… e os céticos já estão previamente convencidos que
astrologia não funciona (embora eu sempre pensasse que cientistas
avaliassem primeiro e julgassem depois, mas tudo bem).
fonte: http://www.deldebbio.com.br